• Camila Fabro

Yansã

Oyá é uma orixá extremamente forte, sincretizada como Santa Bárbara, muito conhecida da Umbanda e no Candomblé. Ela é a rainha do ventos e das tempestades e ora tem a leveza de uma borboleta, ora a fúria de um búfalo, assim como a personalidades de suas filhas.



Ela é a força transformadora da vida, a mudança, a passagem. A incorporação de Yansã é a das mais bonitas e chamativas, porque nela o médium gira como um furação. Muitas pessoas querem ser filhas de Yansã por causa de sua história e força. Poucos sabem o peso desta coroa. Yansã é independente e gosta de fazer as coisas sozinha. Nas lendas africanas, Yansã se casou com vários orixás e aprendeu com cada um deles uma qualidade, por isso ela é multifacetada. É dona dos ventos, das tempestades, do fogo e comanda os mortos. E no candomblé, a qualidade que me rege é justamente a ligada ao mortos, também conhecida como Yansã Igbalé, ou do balé. Durante o tempo em que estava entre a vida e a morte eu tive vários encontros espirituais com Yansã e Oxum nos meus delírios. Talvez por estar morrendo e o meu cérebro ativar o modo “fé” para que eu inconscientemente lutasse pela vida. Ou talvez porque eu realmente tenho uma mediunidade tão forte ao ponto de ter esse tipo de conexão considerado raro na religião. Uma conexão tão direta com um orixá. Não sei a resposta. Só sei que ela estava comigo, principalmente durante a segunda cirurgia, que coincidentemente ocorreu durante uma das maiores tempestades de gelo que Curitiba enfrentou. E durante a operação fui levada para o alto de uma montanha onde éramos todos almas, sem cor, sem tamanho, sem rostos. Estávamos subindo uma montanha em sentido espiral. Eu já desconfiava ser um mais delírio porque eu toquei na parede de pedra e senti a sua frieza. (Ah, eu diferenciava os delírios dos sonhos pela sensibilidade táctil. Se eu sentisse o tato era delírio, se não era sonho.) A marcha era calma, mas o que nos empurrava era uma força indescritível. Não havia dor. Não havia murmúrio, nem lama. Apenas a marcha. Ao chegar no topo nos compactamos para sermos levamos todos juntos. Não nos conhecíamos, mas todos sabíamos o que estava acontecendo e como proceder. Ao amanhecer seríamos levados para o outro lado. Fui colocada bem no centro, mas não estava desconfortável. Não havia ar, mas eu já não respirava. Estava tudo calmo. Estava tudo bem. Era apenas a passagem. A sensação de paz nos transbordava. Não havia perigo, nem maldade, nada. Consegui arranjar espaço e vi que o horizonte estava laranja. Estava amanhecendo, logo iríamos embora. Mas em volta do meu peito um laço se formou, como se fosse um laço de couro, um chicote. Esse laço me puxava com muita força, me tirava do espaço compactado. As almas ao meu redor se sentiram desconfortáveis. Eu também estava desconfortável, queria voltar para o meu local original, aquele que me havia sido destinado. O laço me puxava cada vez mais forte para fora. Tentei lutar contra ele, mas estava tão cansada! Diacho! O laço se fortificou e me puxou ainda mais, ao ponto de me soltar das outras.. O ar entrou nos pulmões e me machucou. Tive a sensação de chorar. A cabeça começou a pressionar de novo. Aquela dor horrível. Não. Não. Não. Tentei tirar o laço do meu corpo em vão. Ele não me soltava. A dor no peito aumentou. A pressão na cabeça aumentou. Usei todas as minhas forças para arrebentar o laço, mas não consegui. Abri os olhos para uma luz artificial muito forte, que me cegava. Em meio aos fios tentei mais uma vez puxar o laço, ele estava mais frouxo e ao distanciá-lo de mim vi que ele era a minha guia de proteção, a guia que a Priscila havia me dado. Ainda estava na UTI. Novamente Ela não me deixara partir. #desmiolada #umbanda #candomble #religiãoafro #fé #esperança #força

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