PRÉ-VENDA

disponível a partir da primeira quinzena de agosto

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Tudo começou com a minha morte, ou quase isso. Em maio de 2019 sofri um acidente vascular cerebral aos 34 anos de idade, e logo depois outros dois. Três AVCs em menos de vinte dias. Antes deles, era uma mulher aparentemente saudável. Tudo isso foi para os ares depois de vinte e um dias no hospital em que passei por cirurgias, comas e muita luta para sobreviver. Dentre as diversas sequelas, perdi parte da massa encefálica do lobo parietal direito e fiquei…Desmiolada.  

Olhar aquela tomografia com parte do meu cérebro despedaçado foi a pior coisa que aconteceu na minha vida. Para mim aquela imagem era sinônimo de inutilidade, uma espécie de lápide de uma morte anunciada. Mas, quis o destino que eu fosse resgatada por outros sobreviventes, que passaram pela mesma situação. Comecei a descrever o que sentia nos grupos de apoio virtuais e aquelas palavras começaram a viralizar, representando toda uma comunidade.  É sobre isso que escrevo: morte, vida, dor, desespero, vitória e ressignificação. Histórias que não são só minhas, mas de todos aqueles que sobreviveram a um AVC.  

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Há quem diga que ser chamada de desmiolada seja o oposto de elogio. Porém, aqui esta palavra é ressignificada nos textos que abordam a vida de uma sobrevivente de três acidentes vasculares cerebrais aos 34 anos. A razão do nome é simples e justa: com os acidentes, a autora perdeu parte de sua massa encefálica e ao se reabilitar encontrou um novo mundo em sua nova vida. Precisou aprender a lidar com dor, medo, solidão e capacitismo (preconceito relacionado às pessoas com deficiência), mas não fez isso sozinha, contou com a ajuda de outros sobreviventes de AVC que encontrou em grupos de apoio nas redes sociais.  

O livro é a história dela, mas se entrelaça com as histórias de outros sobreviventes, pois aparentemente é assim que eles continuam suas vidas: entrelaçando sentimentos e experiências. A obra é um “diário de bordo” sobre os aprendizados da autora, mas também reflete sensações universais, como: sofrimento, incerteza, amor e gratidão. Todos esses sentimentos estão presentes em cada um de nós, já que somos humanos, mas se registram de forma muito sensível, quando partem de um cérebro machucado. Nessas linhas ser “desmiolada” deixa de ser ofensivo, já que, no fundo todos nós somos um pouco desmiolados.  

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